Ramagem é alvo de operação da PF que investiga monitoramento ilegal na Abin

Foto: Ed Alves/ CB

Do Correio Braziliense

O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) é um dos alvos da operação da Polícia Federal, deflagrada na manhã desta quinta-feira (25), que apura possível organização criminosa que teria se instalado na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar ilegalmente autoridades públicas e outras pessoas. O parlamentar comandou a agência no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

São cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares diversas da prisão, incluindo a suspensão imediata do exercício das funções públicas de sete policiais federais. Os mandados são cumpridos em Brasília (18), Juiz de Fora (MG) (1), São João Del Rei (RJ) (1) e Rio de Janeiro (1). Na capital federal, um dos mandados de busca está sendo cumprido no gabinete de Ramagem na Câmara dos Deputados.

De acordo com a Polícia Federal, o grupo, formado por policiais federais e servidores da Abin, usava ferramentas de geolocalização de dispositivos móveis sem a devida autorização judicial. Os investigados podem responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de invasão de dispositivo informático alheio, organização criminosa e interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei.

A ação é uma continuidade da operação Última milha, deflagrada no ano passado. Segundo a PF, as provas obtidas a partir das diligências executadas à época indicam que o grupo criminoso criou uma estrutura paralela na Abin e utilizou ferramentas e serviços daquela agência de inteligência do Estado para ações ilícitas, produzindo informações para uso político e midiático, para a obtenção de proveitos pessoais e até mesmo para interferir em investigações da Polícia Federal.

Quem é Alexandre Ramagem?

Deputado federal eleito pelo PL em 2022, Alexandre Ramagem é ex-delegado da Polícia Federal (PF), função que desempenhou até o começo do mandato de Bolsonaro, em 2019. No início de 2019, Ramagem foi nomeado superintendente da PF do Ceará, mas abandonou a carreira policial para ingressar na política.

Ele passou um breve período como assessor da Presidência e depois foi escolhido para chefiar a Abin em junho daquele ano. Na Câmara, ele é um dos vice-líderes do PL e é titular da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e do Conselho de Ética. Ramagem também é pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro nas eleições municipais deste ano.

Até o momento, o parlamentar não se pronunciou sobre a operação da Polícia Federal. O Correio tenta contato com Alexandre Ramagem, mas até a publicação desta matéria o jornal não obteve retorno. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.

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