Mães cobram prazos para cirurgia das crianças com microcefalia. Secretária diz que em 20 dias apresenta cronograma

A audiência pública realizada na Assembleia Legislativa para o debate sobre cirurgia em crianças com microcefalia, nesta segunda-feira (29), terminou sem as mães e os deputados terem respostas concretas sobre prazos. A secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti, compareceu, garantiu que há todo interesse em atender às famílias e disse que, em 20 dias, apresentará o cronograma das cirurgias.

Em Pernambuco, 138 crianças com microcefalia estão na fila de espera, no entanto apenas o Hospital Otávio de Freitas tem capacidade para realizar o procedimento. Além disso, as placas adquiridas para aplicar nos quadris são inadequadas, conforme disse o ortopedista Iury de Brito. De acordo com a secretária Zilda, 20 placas serão entregues nos próximos dias.

Na sua fala, Zilda Cavalcanti garantiu o Governo do Estado não está negligenciando e nem está inerte em relação ao sofrimento das crianças e familiares. Lamentou os entraves da burocracia e a prestação de contas que tem de ser dada ao TCE e Ministério Público. Também ressaltou que é preciso dividir a culpa e a responsabilidade, ao lembrar que esse problema não iniciou agora. Segundo ela, em 2017, foram realizadas apenas duas cirurgias e em 2018 foram 35. Depois mais nenhuma ocorreu no Estado.

“Independentemente de culpa, nós temos responsabilidade. Vamos entregar o cronograma das cirurgias “, garantiu Zilda Cavalcanti, dando prazo de 20 dias. A secretária reconheceu que a rede estadual não tem condições de realizar um mutirão de cirurgias, por isso falou que, em 15 dias poderá divulgar as instituições filantrópicas e hospitais privados que farão parceria com o Estado a fim de agilizar os procedimentos. “As cirurgias começaram e não vão parar”, enfatizou.

Presidente da Ong União Mães de Anjos, Germana Soares não ficou satisfeita com o resultado da audiência pública, afirmando que continuou sem respostas. “Não atingimos o objetivo da audiência. Achei que iríamos saber de parcerias com hospitais. Dividir a culpa não existe. Qual a diferença de saber quando e como essa situação surgiu. A responsabilidade é de quem está no Governo agora. Não é uma questão pessoal, é sobrevivência. Hoje o foco é microcefalia, mas doença rara não tem vez neste Governo. Como vamos acreditar que tem interesse? A gente não saiu do canto hoje. A gente vai continuar cobrando”, enfantizou Germana.

O deputado Gilmar Júnior (PV) foi quem pediu a realização da audiência pública e também contestou os argumentos da secretária Zilma Cavalcanti. “Para ter logística das cirurgias, é preciso planejamento, e não conseguimos ver, a senhora não trouxe nada na sua fala. A culpa não interessa mais, só nos interessa é a responsabilidade hoje, que é do Governo do Estado. Problema complexo de planejamento não se compara com as dores das crianças. E não vejo certeza porque não temos números e nem datas. Certeza nem a senhora e nem a governadora Raquel Lyra têm”, cravou.

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