Foto: Divulgação/PCPE
Por: Nicolle Gomes
Do Diario de Pernambuco
Esquemas envolvendo as práticas de “rachadinha” e a contratação de funcionários fantasmas na Prefeitura de Buenos Aires, na Zona da Mata Norte do Estado, foram desvendados pela Polícia Civil pernambucana.
Segundo as investigações, entre os 19 alvos da Operação Morojó, deflagrada na quinta-feira (23), estão servidores públicos e ex-funcionários do Executivo municipal que atuaram entre os anos de 2020 e 2024, na gestão do ex-prefeito Fabinho Queiroz (PSD).
As informações foram detalhadas nesta sexta (24), em entrevista coletiva realizada na sede da corporação, no Recife. Ainda segundo os policiais, alguns dos alvos da ação ainda estão na ativa, mas ninguém foi afastado ou preso.
A polícia também fala na participação de políticos, suspeitos de esquemas de desvios de recursos públicos de, ao menos, R$ 1,5 milhão em diversos setores municipais da cidade de Buenos Aires, como Educação e Saúde.
“Conseguimos apurar um núcleo administrativo e um núcleo empresarial dentro da antiga gestão do município de Buenos Aires, que vinha atuando desde o período pandêmico e que seriam responsáveis, em tese, por delitos envolvendo desvio de recursos públicos advindos de combustíveis, de abastecimento e manutenção da frota municipal, também por esquema de rachadinha, ou seja, servidores fantasmas”, declarou o delegado Paulo Victor Rodrigues.
Um dos pontos que mais chamou a atenção, de acordo com o delegado, foi o valor justificado para a frota ligada à Secretaria de Educação de Buenos Aires, no período da Pandemia de Covid-19, quando sequer havia deslocamento de estudantes ou aulas.
“Foi apurado um acréscimo nas despesas com a frota, em um período em que não haveria expediente escolar. O Tribunal de Contas do Estado, inclusive, fez inspeção no local e constatou irregularidades no controle da quilometragem dos veículos que justificassem esse abastecimento e essa manutenção na frota municipal um dos elementos que estão sendo levados em consideração pela polícia judiciária”, comentou.
Ainda segundo ele, além das rachadinhas e irregularidades na frota municipal de educação, licitações de contratação de imóveis e empresas relacionadas a prestação de shows e eventos também chamaram a atenção da polícia.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, foram apreendidos celulares, veículos, cheques e documentos relativos às contratações.
“Nós estamos concentrados em apurar o máximo desse valor que foi tido a título de prejuízo ao erário e estamos tomando as medidas cabíveis para garantir esse ressarcimento”, destacou o delegado.
Sobre a operação
Conforme a PC, a investigação foi iniciada em fevereiro de 2025, com o objetivo de identificar e desarticular organização criminosa voltada à prática de peculato, crime praticado por servidor público ao tirar proveito do cargo, e fraude em licitação.
Morojó é o nome de um riacho que corta Buenos Aires. O município da Zona da Mata Norte de Pernambuco é um dos locais onde foram cumpridos os mandados. Os outros são: Chã de Alegria, Igarassu, Timbaúba, Paulista, Cupira, Vitória de Santo Antão, Recife, Olinda e João Pessoa, na Paraíba.
A Operação Morojó está vinculada à Diretoria Integrada Especializada (DIRESP) e ao Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO). No cumprimento dos mandados foram empregados 120 policiais civis, entre delegados, agentes e escrivães.
As investigações foram assessoradas pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Pernambuco (Dintel), com apoio do Corpo de Bombeiros Militar (CBMPE), da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas – Renorcrim e da Polícia Civil de Pernambuco.