Prefeitura do Recife lança Clara IA para prevenir violência contra mulheres

No mês dedicado às mulheres, a Prefeitura do Recife lança a Clara IA, ferramenta de inteligência artificial desenvolvida para identificar precocemente possíveis vítimas de violência e feminicídio atendidas nas unidades da Atenção Básica. Com isso, amplia a capacidade da rede pública de saúde de reconhecer sinais de risco antes que a violência se agrave.

A nova tecnologia integra um conjunto de estratégias que fortalecem o cuidado às mulheres no sistema público de saúde, entre elas o Guia Prático de Atenção às Mulheres em Situação de Violência no Recife, documento elaborado para qualificar a atuação dos profissionais da rede municipal no acolhimento, condução clínica e psicossocial, encaminhamento e notificação de casos.

A Clara IA atua analisando dados clínicos e históricos registrados nos sistemas de saúde e, ao identificar indícios compatíveis com situações de violência, emite um alerta para médicos, enfermeiros, dentistas e profissionais das equipes multidisciplinares (E-Multi). A notificação aparece diretamente no Prontuário Eletrônico das Unidades Básicas de Saúde, durante o atendimento à usuária, permitindo que a equipe direcione o cuidado com maior atenção, sensibilidade e capacidade de intervenção.

O nome da ferramenta faz referência à Rede Clarissa, iniciativa da Prefeitura do Recife dedicada ao atendimento e à proteção de mulheres vítimas de violência, simbolizando a integração entre inovação tecnológica e políticas públicas de cuidado, acolhimento e defesa dos direitos das mulheres.

O desenvolvimento da Clara IA resulta de uma parceria entre a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Saúde, a Vital Strategies, organização internacional de saúde pública, e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Em um projeto pioneiro, a ferramenta analisou registros de atendimento de 16 mil mulheres vítimas de violência atendidas nas Unidades de Saúde da Família do município ao longo de dez anos.

A análise, combinada ao cruzamento de dados do Sinan (Sistema de Informações de Agravos de Notificação), permitiu identificar não apenas sinais diretos de violência, mas também padrões de adoecimento e comportamento frequentemente associados às vítimas. Um dado chamou a atenção dos pesquisadores: nos 90 dias que antecedem uma agressão grave ou mesmo um feminicídio, muitas dessas mulheres procuram com maior frequência os serviços de saúde, frequentemente relatando questões relacionadas à saúde mental.

A descoberta reforça o papel estratégico da Atenção Básica como espaço privilegiado para a identificação precoce de situações de risco e para a interrupção do ciclo da violência.

“Hoje, 75% das notificações de violência contra a mulher no Sinan são realizadas pelos prontos-socorros, enquanto apenas 1% ocorre na Atenção Básica. Estamos trabalhando para transformar essa realidade, porque a identificação precoce, a compreensão do contexto, o acolhimento qualificado e o encaminhamento para a rede especializada podem fazer toda a diferença na vida dessas mulheres, contribuindo para romper o ciclo de violência e até evitar desfechos fatais”, explica a secretária de Saúde do Recife, Luciana Albuquerque.

Antes da expansão da estratégia para outras unidades da Atenção Básica, a Clara IA foi testada em um projeto-piloto no Distrito Sanitário I, envolvendo três Unidades de Saúde da Família -Santo Amaro III, Santa Terezinha e Pilar -!além de uma equipe E-Multi. Ao todo, 62 profissionais foram capacitados para atuar na identificação e no acolhimento de possíveis vítimas.

A partir deste mês de março, a iniciativa será ampliada para mais 21 unidades de saúde, totalizando 541 profissionais habilitados para o cuidado às mulheres em situação de violência, entre médicos, enfermeiros, dentistas e agentes comunitários de saúde, além de três equipes E-Multi.

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