Por:Antonio Coelho
Há trajetórias que se confundem com a própria história de uma região. Assim é a de Geraldo de Souza Coelho, cujo centenário de nascimento celebramos como um marco de reconhecimento a uma vida dedicada à transformação do Sertão do São Francisco.
Nascido em Petrolina, em 5 de abril de 1926, filho de Clementino e Josepha de Souza Coelho, e irmão de lideranças igualmente marcantes como Nilo Coelho e Osvaldo Coelho, Geraldo Coelho construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com o desenvolvimento regional. Engenheiro civil por formação, fez da política um instrumento de transformação da realidade.
Iniciou sua caminhada na vida pública como vereador de Petrolina, por dois mandatos, entre 1963 e 1973. Foi presidente da Câmara Municipal duas vezes, oportunidade na qual contribuiu para a realização de ações estruturantes como a criação da Cooperativa de Eletrificação Rural de Petrolina (CERPEL). Uma iniciativa que ampliou o acesso à energia e impulsionou o desenvolvimento regional.
À frente da Prefeitura de Petrolina, entre 1973 e 1977, imprimiu uma gestão voltada à modernização urbana e à realização de obras, as quais lançaram as bases da cidade próspera que hoje conhecemos e tanto orgulha nosso Pernambuco e o Brasil. Sua visão administrativa era clara: desenvolver o Sertão não era apenas possível, era necessário.
Foi, contudo, na Assembleia Legislativa de Pernambuco que Geraldo Coelho consolidou o seu legado. Ao longo de seis mandatos consecutivos, entre 1987 e 2011, teve atuação destacada. Desempenhou um papel central na organização institucional do Estado ao presidir a Comissão de Sistematização da Constituinte de 1989. Nesse período, participou e contribuiu diretamente para a elaboração da Constituição pernambucana. Além disso, também atuou como relator da Comissão responsável pelo Regimento Interno da Casa e integrou a Comissão Interestadual Parlamentar do São Francisco.
Há um ponto na trajetória política de Geraldo Coelho que me toca de maneira especial. Por diversas vezes, ele foi presidente da Comissão de Finanças, Orçamento e Tributação, o mesmo colegiado que hoje tenho a honra de presidir. Isso não é apenas uma coincidência institucional, mas uma responsabilidade histórica. Por isso, reafirmo o compromisso de honrar esse legado. Geraldo Coelho compreendia como poucos o poder transformador do orçamento público. Para ele, cada investimento significava uma oportunidade concreta de desenvolvimento, ou seja, uma estrada que se abria, uma escola que se erguia, uma esperança que surgia especialmente para o interior. Foi essa visão que permitiu o Sertão ser incluído de forma efetiva nas prioridades do Estado.
Sua atuação foi decisiva para consolidar políticas públicas que mudaram o destino do Vale do São Francisco. Foi um dos grandes articuladores da expansão da agricultura irrigada, contribuindo para transformar Petrolina em referência mundial na fruticultura. Também teve papel fundamental na viabilização do Aeroporto Internacional Senador Nilo Coelho e na implantação da Faculdade de Petrolina (FACAPE), sempre acreditando que o desenvolvimento sustentável do Sertão passava pela educação e pela qualificação de sua própria gente.
Não era um político de discursos vazios, mas de ação concreta. Não por acaso, ficou conhecido como o “Trator do Sertão”. Uma expressão que traduz, com precisão, sua capacidade de mover estruturas, criar oportunidades e transformar realidades. Geraldo Coelho foi mais do que um homem público: foi um realizador.
Ao celebrarmos seu centenário, reafirmamos não só a importância de seu exemplo, mas reconhecemos que seu legado permanece vivo, como inspiração para que a política continue sendo um verdadeiro vetor de transformação social e desenvolvimento para Pernambuco.
Geraldo Coelho enxergava o mundo a partir do Sertão e fazia dele o centro de suas prioridades. Honrar sua memória é, portanto, reafirmar o compromisso com uma política que inclui, transforma e constrói oportunidades!
Antonio Coelho
É deputado estadual e sobrinho de Geraldo Coelho