Foto: Blog Dantas Barreto
O Ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, estranhou, nesta sexta-feira (27), a notícia divulgada na imprensa a respeito do vazamento das delações de André Fidelis e Virgílio Filho, mencionando as participações do ex-ministro Carlos Lupi e de Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, na fraude do INSS. Ao Blog Dantas Barreto, lembrou que as revelações de Fidelis e Virgílio estão sob sigilo de justiça e, portanto, não podem ser divulgadas. Na entrevista, Wolney admite ser natural a politização na CPMI do INSS, porém adverte que não pode ser exacerbada para não prejudicar as investigações. O ministro ainda relata que mais 4,3 milhões de aposentados vítimas do golpe já foram ressarcidos.
Ministro, ontem, houve duas decisões, uma do Supremo Tribunal Federal e outra da CPMI, do INSS, que foi para quebrar o sigilo do filho do presidente Lula, o Lulinha. Qual a sua opinião a respeito disso?
Olha, sinceramente, eu estou estou no prédio da Previdência Social, cuidando de pagar benefício, de reduzir a fila, de dar mais integridade, governança e controle aos processos do Ministério. Então, não tenho acompanhado esse dia a dia. As decisões do Supremo têm que ser cumpridas, as decisões da CPMI precisam ser cumpridas portanto não tem muito o que comentar.
Os nomes de Lulinha e de Carlos Lupi foram citados por dois personagens que fizeram delação premiada, como se eles tivessem participação ativa no esquema fraudulento. Como avalia essa suspeita?
Veja, ninguém tem acesso às delações. Como é que saiu essa informação, principalmente, essa de Lupi? Não parece que seja verdade, pelo menos, no que diz respeito a esses dois personagens porque a gente não tem nenhum dado concreto. As delações são sob sigilo, então, se são sob sigilo, não tem como ninguém saber. Nem a imprensa e nem a própria Justiça podem divulgar. É de se convir que fica difícil a pessoa se defender quando se diz que tem uma delação e alguém lhe citou. Como é que você se defende, se é tudo sob sigilo e não foi divulgado? Vamos aguardar os resultados das investigações das delações e aí as pessoas podem se defender.
Está havendo algo que o senhor receava lá atrás, que é a politização dessa CPMI?
Sempre tem porque é um organismo que lida com a política diretamente. Este ano é de eleição e a gente sabe que na disputa política normalmente acontece. É uma coisa normal, mas que não pode exacerbar o limite da seriedade das investigações. Eu tenho muita muito boa referência do presidente da CPMI, senador Carlos Viana. Ele procura ser um presidente equilibrado entre os senadores e deputados e tem feito um bom trabalho.
A bancada governista não gostou da atitude dele na votação para quebrar o sigilo de Lulinha. Como viu essa situação?
Pois é, mas é tudo gravado, é tudo filmado. Se a base não concordou, vai recorrer. Mas estou com a expectativa de que, ao final de tudo, a gente consiga a aprovação de um relatório que possa ajudar nas investigações do que houve realmente com relação aos descontos associativos.
Paralelamente a isso, o que o Ministério da Previdência tem feito para regularizar essa situação junto aos aposentados que foram vítimas do golpe?
Nós já pagamos quase R$ 3 bilhões, ou seja devolvemos aos aposentados em parcela única corrigida pelo IPCA. Já temos 4,3 milhões de aposentados que receberam de volta tudo que foi roubado deles. Nunca aconteceu no Brasil e o governo mandou os aposentados procurarem seus direitos, ver se foram descontados, se foi desconto ilegal. Até o dia 20 de março o prazo está aberto para que aposentados e pensionistas verificarem se houve desconto ilegal. Vai na agência dos Correios, recebe o extrato e dá início ao processo, que vai ser devolvido tudo. É rápido agora porque a fila praticamente acabou.