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A decisão do agora suplente de vereador do Recife Osmar Ricardo (PT) de ter assinado o pedido de CPI contra o prefeito João Campos (PSB) foi condenada por seu próprio irmão, o secretário municipal de Meio Ambiente, Oscar Barreto, e o seu antecessor na presidência do partido, Cirilo Mota. Os dois divulgaram nota repudiando a “mudança brusca” de posicionamento político de Osmar, ao se afastar da gestão da Capital e se aliar ao bolsonarismo.
A CPI foi pedida pelo vereador Thiago Medina (PL) para apurar a nomeação de um advogado na cota de pessoa com deficiência. Essa nomeação já foi anulada. Ontem, o prefeito João Campos decidiu exonerar o secretário de Direitos Humanos e Juventude, Marco Aurélio Filho (PV), para ele reassumir o mandato na Câmara de Vereadores. Com isso, Osmar Ricardo volta à condição de suplente. O novo secretário é Diogo Stanley, indicado por Marco Aurélio.
Segue a nota conjunta:
A política não comporta duas faces. Não é possível sustentar um discurso público de compromisso com o povo e, nos bastidores, negociar posições, alianças pessoais e interesses que contradizem tudo o que se defende na tribuna. Quem escolhe esse caminho faz uma opção — e precisa assumir as consequências dela.
Sempre estivemos e continuaremos ao lado do povo, firmes na tradição da Frente Popular de Pernambuco de Pelópidas, Miguel Arraes, Eduardo Campos e do presidente Lula. É desse campo que viemos, é com essas bandeiras que marchamos e é por elas que seguimos lutando, sem abrir um milímetro dos nossos compromissos com Pernambuco.
Durante todo o dia de ontem fomos procurados por diversos meios de comunicação e por companheir@s militantes questionando a posição do suplente de vereador Osmar Ricardo de caminhar ao lado do bolsonarismo na Câmara do Recife. Entendemos que se trata de uma decisão de conteúdo político, uma opção consciente. O que nos causa estranheza é a mudança brusca de posição, sem qualquer justificativa pública, sem diálogo com a militância e sem debate com o conjunto partidário. Não há fato político que sustente essa guinada.
Osmar chegou à Câmara em um gesto político que ampliou a representação do partido (PT) dentro da Casa. Foi fruto de construção coletiva, não de projeto individual. Ao optar por se alinhar a setores que representam o que há de mais antipovo e que flertam com a experiência mais nefasta da história recente da política brasileira, rompe com essa construção e afronta a luta histórica do Partido dos Trabalhadores.
O próprio presidente estadual do PT, Carlos Veras, já deixou claro que se trata de uma posição isolada e condenável. Isso reforça que tal movimento não representa o partido nem sua militância, que hoje trava uma batalha decisiva pela democracia e pelos avanços sociais para quem mais precisa.
Apesar de, ao longo de décadas, termos atuado em grupos distintos, sempre preservamos unidade naquilo que é central: a defesa do partido, o amplo debate interno, o legado popular do PT e a participação responsável na Frente Popular. Ficar ao lado do campo obscuro que aposta no conflito, na confusão e no enfraquecimento das políticas públicas é romper com essa história.
A história será implacável com os que hoje se julgam vencedores ao ceder ao jogo político de um governo camuflado e às forças que sempre combateram os avanços sociais. Nós, ao contrário, reafirmamos nossas bandeiras e nossa coerência. Permanecemos do lado do povo de Pernambuco, com coragem, clareza e compromisso.
Cirilo Mota
Dirigente do PT de Pernambuco
Coordenador da Democracia Socialista (DS-PE)
Oscar Paes Barreto
Dirigente do PT de Pernambuco
Coordenador da Democracia Socialista (DS-PE)