Foto: Marina Torres/DP Foto
Por Guilherme Anjos
Do Diario de Pernambuco
Estudantes da rede estadual sofreram ameaças dos gestores de suas escolas nesta terça-feira (1º) por terem participado da audiência pública para cobrar esclarecimentos do secretário de Educação, Gilson Monteiro, no auditório da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). A questão foi levada aos deputados, que repudiaram o comportamento dos diretores.
Os alunos encaminharam os áudios e mensagens de texto com evidências dos ataques para a deputada estadual Dani Portela (PSOL), que apresentou o caso à Assembleia. “Ao meu ver, isso é coação e ameaça”, disparou a parlamentar.
As ameaças partiram do gestor da Escola Técnica Miguel Batista, do Recife, que ligou para os alunos mandando que retirassem o fardamento para não prejudicar a imagem da escola e do seu cargo; e da nutricionista da Escola Augusto Severo, de Jaboatão dos Guararapes, que mandou áudios “aos gritos” para os estudantes por terem denunciado a qualidade da merenda servida.
O deputado estadual Waldemar Borges (PSB), que presidia a audiência, afirmou que a atitude é “fascista” e uma “afronta à democracia”, e garantiu que o Legislativo vai “travar qualquer questão da Secretaria de Educação enquanto isso não for apurado”.
O secretário Gilson Monteiro repudiou o ocorrido e disse que o caso será investigado para que as medidas administrativas e disciplinares sejam aplicadas.
“Não admito nenhuma prática colocada aqui, diante da mensagem trazida pela deputada Dani Portela. Na minha condição de secretário, não admito, não concordo, não convalido nenhum tipo de prática como essa, não é do meu feitio nem do feitio democrático. Qualquer medida tomada por gestor, gerente regional ou secretários-executivos que não estejam atreladas ao que a comunidade escolar precisa e a construção coletiva que pensamos, está fora do padrão. Está registrado, vamos apurar para abrir os processos administrativos e disciplinares, escutar o gestor e os estudantes que tiveram esse cerceamento”, afirmou.