Foto: Lucas Patrício/Divulgação
Deputados federais e estaduais de oposição à governadora Raquel Lyra (PSD) se posicionaram, nesta segunda-feira (26), após a repercussão da denúncia de “espionagem” contra Gustavo Monteiro, secretário de Articulação Política e Social da Prefeitura do Recife, e seu irmão Eduardo Monteiro, assessor municipal da gestão de João Campos (PSB), principal adversário da governadora. A reportagem foi veiculada, nesse domingo, no programa Domingo Espetacular, da Rede Record.
A deputada federal Maria Arraes (Solidariedade) questionou “quem teria dado ordem para que a Polícia Civil de Pernambuco espionasse adversários políticos da atual gestão do governo do estado”. Durante entrevista coletiva, hoje, o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, confirmou que a ordem partiu dele, após receber denúncia anônima de que Gilberto Monteiro estava recebendo propina. E como nada foi comprovado, o inquérito não teve seguimento.
“A Polícia Civil, que deveria estar investigando crimes e protegendo a população, está sendo utilizada para coletar informações e perseguir adversários políticos, sem qualquer ordem judicial. O que estamos vendo lembra práticas da ditadura e o mesmo tipo de atuação da chamada Abin (Agência Brasileira de Informações) paralela do governo Bolsonaro”, declarou a parlamentar.
Líder da oposição na Assembleia Legislativa, Cayo Albino (PSB) também questionou o uso da Polícia Civil para fins políticos. “Não vamos aceitar que a força policial seja utilizada como instrumento de perseguição política. Quem exerce poder deve responder pelos seus atos, sempre dentro da lei e com respeito às instituições”, escreveu o parlamentar nas redes sociais.
Já o deputado estadual Waldemar Borges (MDB) compartilhou um artigo intitulado “A História Ensina”. No texto, o parlamentar critica a suposta “polícia paralela”. “É irônico e triste perceber que nosso próprio estado, cenário de O Agente Secreto, ainda abriga situações parecidas às denunciadas nas telas, provando que o autoritarismo que pensávamos ter ficado no passado insiste em se fazer presente”, escreve o deputado.
Em nota enviada à imprensa, o presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto (PSDB), condenou a investigação contra o secretário de Articulação Política e Social do prefeito João Campos (PSB). Como presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, não posso e não devo me silenciar diante de fato tão grave. Precisamos juntos, repudiar e demonstrar a mais profunda indignação diante do uso de agentes do Estado para perseguirem adversários políticos ao arrepio da lei na mais completa violência contra o estado de direito. Tenho sido vítima, juntamente com meus familiares, das maquinações perpetradas pelo gabinete do ódio que, segundo resultou provado, tinha um dos seus membros nomeados no coração do governo com a assento e passagem livre no Palácio do Campo das Princesas”, salientou.