Impeachment de João Campos é rejeitado pela maioria dos vereadores do Recife

Foto: Blog Dantas Barreto

O pedido de impeachment do prefeito João Campos (PSB) foi negado pela grande maioria dos vereadores do Recife, nesta terça-feira (3). O placar foi de 25 a 9 e 1 abstenção (Jô Cavalcante/Psol) como já era previsto. Os vereadores Júnior Bocão (PAD) e Flávia de Nadegi (PV) saíram do plenário e não votaram.. Valeu a estratégia da bancada governista de preencher a maior parte das galerias da Câmara com apoiadores do socialista. Do lado de fora da Casa de José Mariano também haviam muitas pessoas, mas só foi permitida a entrada até o limite das cadeiras.

Autor do pedido de impeachment, Eduardo Moura (Novo) apresentou seus argumentos de que João Campos cometeu crime de responsabilidade e de improbidade, ao nomear um procurador na cota de pessoa com deficiência. Ele apresentou o relatório com 480 páginas para que fosse aberto o processo de investigação. O vereador interrompeu o discurso algumas vezes devido aos protestos e vaias das galerias. Moura se licenciou no momento da votação e foi substituído pelo primeiro suplente do Novo, George Bastos.

Já o líder do Governo, Samuel Salazar (MDB), defendeu o prefeito, afirmado que o prefeito tinha base legal na sua decisão. E que o pedido de impeachment “é completamente vazio”. O vereador chegou a cogitar que o juiz Rildo Vieira da Silva, que assumiu a Vara Regional dos Crimes Contra a Administração Pública, Ordem Tributária, Lavagem de Dinheiro e de Delitos de Organizações Criminosas da Capital do TJPE, poderia de invalidado denúncias contra a Prefeitura do Recife, “talvez por arapongagem”.

Salazar ainda mostrou um áudio no qual os apoiadores de João Campos são chamados de “mundiça” pelo suplente George Bastos. O substituto de Eduardo Moura manteve o que disse, ao microfone, dizendo que é “mundiça a claque” que estava nas galerias no horário de trabalho.

A denúncia contra João Campos foi devido à nomeação do advogado Lucas Vieira Silva como procurador da Prefeitura do Recife na vaga de pessoa com deficiência. Ele havia se inscrito no concurso realizado em 2022, porém não como PCD. Em 2025, Lucas apresentou diagnóstico de portador de transtorno do espectro autista e passou a ser o primeiro colocado na cota de PCD.

Campos acatou parecer do procurador-geral do município, Pedro Pontes, já que também tinha parecer favorável do Tribunal Regional do Trabalho. No entanto, Marko Venicio dos Santos Batista, que tinha sido aprovado em primeiro lugar, recorreu à Justiça.

O caso ganhou evidência quando foi revelado que Lucas Vieira é filho procuradora de contas do Ministério Público de Contas (MPC) Maria Nilda Silva, que é responsável por fiscalizar atos administrativos e gastos públicos do Recife.

O pai é o juiz Rildo Vieira da Silva, que assumiu a Vara Regional dos Crimes Contra a Administração Pública, Ordem Tributária, Lavagem de Dinheiro e de Delitos de Organizações Criminosas da Capital do TJPE. Foi ele que arquivou denúncias envolvendo a Prefeitura do Recife, pouco tempo depois de estar no cargo.

O fato gerou repercussão e João Campos anulou a nomeação de Lucas e nomeou Mike. Apesar dessa decisão, a oposição acusou o prefeito do Recife de cometer crime administrativo. Tanto o prefeito quanto seus aliados consideraram o pedido de impeachment como pirotecnia e discurso eleitoreiro da oposição.

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